sábado, 21 de março de 2015

CAP. 02

  É MUITO DIFÍCIL se entender, considero esta uma tarefa bem puxada. É mais fácil olhar para a minha volta e dizer como vejo as pessoas que me cercam do que olhar para o meu reflexo no espelho e dizer corretamente o que estou admirando. 
  Certa vez me foi dito que nós quando olhamos para o espelho nos enxergamos dez vezes mais bonitos do que realmente somos. Então, tenho que contar um detalhe sombrio da minha vida, por volta de um ano evitei observar o meu reflexo. Não que eu não tenha visto meu rosto, mas simplesmente fugia dos destalhes. Nesta mesma época me tranquei por volta de seis meses no meu quarto e de lá só saía aos sábados para resolver algumas coisas da minha vida pessoal, mas nada de sair com os poucos amigos que tinha - e fiz a burrada de me afastar dos que restaram. É realmente triste pensar como me considerava feio e incapaz de enfrentar o mundo.
  E eis que entra o teatro nesta história, a porta que mostrou-me que não devo ter vergonha de ser humano. As aulas de teatro me ajudaram a perder aquele medo e timidez que rapidamente acabei adquirindo, levei cerca de outros seis meses para voltar a ter auto-confiança.
  Nas profundezas do meu ser ainda havia uma grande crise de identidade, iniciada com a masturbação quando tinha pouco mais de doze anos. É muito difícil se entender, ainda mais quando você se vê atraído por homens e mulheres por igual. A falta de informação da parte dos meus pais também era algo que odiava não receber, a minha maior sorte foi não ter iniciado minha vida sexual cedo e talvez o maior azar foi não ter demonstrado as minhas preferências desde cedo, pois considero cruel as pessoas me olharem e não notarem o que eu tanto queria que fosse notado com apenas um olhar mais aprofundado de qualquer cidadão.

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