sábado, 21 de março de 2015

CAP. 03

É FÁCIL SE ACEITAR? A minha resposta é NÃO. Não foi fácil. Depois do meu primeiro beijo com uma menina não repeti o ato novamente pelos seguintes seis anos. Procurava não me relacionar com ninguém ou fugir de beijos para não ter que confrontar o meu verdadeiro EU. 
  Ingenuamente fui enganado por um sociopata virtual ou talvez um ninfomaníaco, arrisquei minha vida e num impulso decidi conhecê-lo, considero esta a maior burrada da minha vida. Não pela pessoa em si, mas pela minha falta de maturidade, me desloquei para outra cidade sem ninguém saber e o encontrei em sua casa, simplesmente poderia ter me acontecido tudo o que ninguém nunca espera acontecer consigo mesmo.
  Durante dois meses esta pessoa tentou de todas as formas me conquistar, em apenas alguns dias conseguiu. As nossas conversam haviam se tornado minha maior necessidade, ele sumiu por um bom tempo, me desesperei e quando ele retornou... precisava conhecê-lo. 
  A verdade é que não fui vê-lo para beijar ou transar como quase aconteceu, mas sim para conversar e entender o que estava acontecendo, quando cheguei em sua casa... eis que me é roubado meu PRIMEIRO BEIJO. Ocultei para eu mesmo o que ali realmente aconteceu por não concordar e quando dei meu segundo beijo considerei este como o PRIMEIRO, ninguém merece ter seu primeiro beijo roubado. 
  Esta pessoa ainda ressurgiu na minha vida em mais uma ocasião, quem diria eu indo beijar alguém em um banheiro de rodoviária, mas quando isso aconteceu... já tinha me aceitado e o que viesse sigilosamente era lucro. 
  Nos próximos capítulos começam as aventuras, me acompanhe!

CAP. 02

  É MUITO DIFÍCIL se entender, considero esta uma tarefa bem puxada. É mais fácil olhar para a minha volta e dizer como vejo as pessoas que me cercam do que olhar para o meu reflexo no espelho e dizer corretamente o que estou admirando. 
  Certa vez me foi dito que nós quando olhamos para o espelho nos enxergamos dez vezes mais bonitos do que realmente somos. Então, tenho que contar um detalhe sombrio da minha vida, por volta de um ano evitei observar o meu reflexo. Não que eu não tenha visto meu rosto, mas simplesmente fugia dos destalhes. Nesta mesma época me tranquei por volta de seis meses no meu quarto e de lá só saía aos sábados para resolver algumas coisas da minha vida pessoal, mas nada de sair com os poucos amigos que tinha - e fiz a burrada de me afastar dos que restaram. É realmente triste pensar como me considerava feio e incapaz de enfrentar o mundo.
  E eis que entra o teatro nesta história, a porta que mostrou-me que não devo ter vergonha de ser humano. As aulas de teatro me ajudaram a perder aquele medo e timidez que rapidamente acabei adquirindo, levei cerca de outros seis meses para voltar a ter auto-confiança.
  Nas profundezas do meu ser ainda havia uma grande crise de identidade, iniciada com a masturbação quando tinha pouco mais de doze anos. É muito difícil se entender, ainda mais quando você se vê atraído por homens e mulheres por igual. A falta de informação da parte dos meus pais também era algo que odiava não receber, a minha maior sorte foi não ter iniciado minha vida sexual cedo e talvez o maior azar foi não ter demonstrado as minhas preferências desde cedo, pois considero cruel as pessoas me olharem e não notarem o que eu tanto queria que fosse notado com apenas um olhar mais aprofundado de qualquer cidadão.

CAP. 01

  BEM-VINDO ao que chamo de "meu mundo". Meu nome é Mister G. e tenho dezenove anos, sou paulista e habitante de um lugar bem atrasado.

  Quero refletir todos os meus conflitos nestas linhas que me seguem livremente num ritmo que EU comando. Posso dizer que fui uma criança com todas as letras - brincava, zoava, era zoado, me machucava, etc - e também que fui um adolescente com todos os seus defeitos - bullying, espinhas, falta de maturidade, etc;
  A melhor parte desta história é certamente a fase atual que ainda nos custará mais alguns capítulos, mas prometo que ela logo chegará!
  O motivo deste espaço é simples: aqui tenho a maior liberdade de ser quem eu realmente deveria ser, mas a realidade e a atualidade me consomem e não posso soltar minhas árduas algemas, então aqui posso refletir minha alma como gostaria. E se alguém perguntar... nego até a morte!